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Os Véus e as Dimensões

O Véu do Esquecimento não é mera ferramenta reencarnatória, mas uma ode à individualidade. Pode-se argumentar que todos os tempos e espaços são um só, que as dimensões se interpenetram e que o livre-arbítrio só existe na mente do homem, mas temos de considerar que só de classificarmos e organizarmos a experiência da vida em diversas passagens as munimos de individualidade e autenticidade. Em outras palavras, toda experiência é autêntica por si só e tem o direito de ser separada e destacada do contexto geral para se expressar sem os ruídos e interferências do passado ou do futuro.

Uma vez que levantamos o Véu do Esquecimento as diversas experiências se interpenetram, tal como tanques cheios de água que assim que conectados nivelam seus volumes. Ao tornarem-se unidade os padrões naturais se reforçam e a ilusão do livre-arbítrio enfraquece. Este não é um problema, mas também não é essencialmente uma solução. O que há para ser entendido é que individualidade e união são possibilidades de manifestação e ferramentas para a expressão da autenticidade do ser. 

 

Rodrigo Vignoli

Belo Horizonte, 25 de março de 2019

Sol 4° Áries, Lua 6º Sagitário, Mercúrio 16° Peixes

A Irreverência da Iluminação

Há uma linha geral do que se é esperado de cada um em termos de execução de seu Propósito em sua vida. Esta linha é definida sobre a média dos rendimentos daquele ser em outras passagens pelos planos de manifestação. Em outras palavras a espiritualidade não subestima e nem superestima a capacidade de ninguém.

Por outro lado, mesmo que tenhamos certa liberdade no agir algo é esperado de nós, e sempre que se sai dessa linha de planejamento há retaliações. Em meio às inúmeras possibilidades podemos nos perder ou vacilar em nosso ritmo e, de alguma forma, estaremos descompassados com o que nos é reservado. Daí vem a sensação de insatisfação e de inadequação: não conseguimos contemplar o próprio propósito interno e isso nos aflige intimamente. Ao nos envolvermos com magia acabamos, de certa forma, interferindo nessa linha de expectativa e planejamento da Espiritualidade e, embora na maioria dos casos as pessoas possam se perder ainda mais quando lhes são apresentadas muitas possibilidades e nenhum fundamento ou maturidade, vez ou outra os meios conduzem aos fins e um adepto alcança um certo estado de consciência muito mais perspicaz do que se era esperado. E isso também pode ser complicado.

Em constraste à situação em que nos sentimos incapazes de assumirmos nossa Vontade, aqueles que a assumem e a manifestam com maior intensidade do que se é esperado tendem a não mais fluírem conforte o ritmo do contexto que lhes rege, mas à sua frente, enfrentando diretamente a inércia que procura de toda maneira refrear o êxtase e o ardor. Aqui o adepto não se referencia mais pelo contexto mundano, tal como aquele que cumpre seu ritmo próprio, mas sim pelas diretrizes superiores à sua consciência, algo com o qual ele nunca teria contato se se ativesse à sua progressão esperada.

Quando falamos dessa inércia que tenta desestimular o adepto, falamos da atuação de inteligências externas, sempre motivadas por  duas razões principais: o temor dessa ascensão repentina e de como isso pode afetar os seus interesses e domínios; ou o desejo de se estar na mesma posição e desfrutar das benesses que estes julgam que o adepto tenha conquistado.

Tudo o que sai do planejamento cósmico causa certa ruptura e desconforto. A iluminação, por fim, é um verdadeiro parto e ela subverte não apenas Maya, mas todas as camadas do Real. A cada vez que um adepto se ilumina os tecidos do TODO se rasgam para então serem cerzidos à Luz de sua plenitude. Mesmo as inteligências mais disruptivas são extremamente conservadoras se comparadas à consciência transcendental. E essa é a beleza da progressão: quando um adepto assume sua marcha e não se torna convencido e arrogante, ou seja, não se deixa freiar pelas inércias de seu próprio ser, nada pode detê-lo e a perturbação que ele causa às ordens estabelecidas é tal qual o regozijo do TODO em se regenerar a partir do êxtase e da Luz incandescente. Só se atinge ao TODO pelo Amor. E é melhor que seja sob Vontade.

Rodrigo Vignoli

Belo Horizonte, 19 de março de 2019

Sol 29º Peixes, Lua 8º Virgem, Mercúrio R 19º Peixes

Caos como atitude e postura diante da Magia

Por tradição ‘magia’ é algo que se faz.

Fala-se de Arte, fala-se de técnica, fala-se, sempre, de ‘boas práticas em magia’. Faça isto com aquilo quanto a isso e aquilo outro acontecerá, mas faça deste jeito aqui, caso contrário, você provará o gosto daquilo. No geral, não queremos o gosto daquilo, mas que aquilo outro aconteça. A grande provocação da Magia do Caos é, justamente, partir disso: divirta-se fazendo magia e conseguindo resultados e não necessariamente os que queria, mas os seus resultados. Isto por causa da atitude quanto a ‘magia’. Quem faz magia do caos é antes de mais nada uma pessoa ousada. É alguém que não está, exatamente, preocupada com intenções e agendas que não seja a sua. Caoístas são egoístas? Sim, se estivermos pensando em Raul Seixas, não, se estivermos pensando em Ayn Rand. Isto por causa da postura.

Quem opera magia clássica é alguém que está ocupado com a consecução de uma Grande Obra, da realização de algo grande e importante e soturno e cósmico, por sua vez, quem lança mão do que podemos chamar de ‘magia do caos’ está olhando para alguma outra coisa que talvez seja menos magnânima e não menos comprometida. Aliás, a postura se revela aqui: magistas do caos tendem a formar grupos de pessoas que não estão interessadas no que os confrades estão buscando, mas no como. Seria bem difícil, mesmo que genericamente, esboçar uma resposta para a pergunta: o que querem magistas do caos? Sopra um vento único de liberdade vindo dali que pode ser comparado a sair para brincar lá fora depois de vários dias de chuva incessante: você simplesmente não sabe por onde começar. E aqui é onde começa o caos.

Quando não se tem por onde começar você pode começar simplesmente por qualquer lugar! Não comece treinando concentração: aprenda hebraico. Tente realizar uma meditação em meio a um raivoso show de hard core e experimente êxtase e dissolução em meio a um mosh pit. A atitude vem de não começar uma vida nova com magia, mas de tornar mágicka a vida que você já tem. Magia do Caos não é para convertidos, é para interessados. Assuma uma postura de encantamento diante dos eventos, tome seu lugar no Equinócio dos Deuses e exija tributos pagos em sorvete, caso goste de sorvete. Tente com menos força e não leve as coisas tão a sério, você saiu para brincar, lembra? Quando se está pensando em Caos não se está pensando no oposto a Ordem, que seria desordem. Basta olhar um grupo de crianças brincando num parquinho depois da chuva e verá como elas dão um jeito de organizar as brincadeiras. O que não quer dizer que não haverão atritos ou reclamações. Pessoas ousadas não estão preocupadas primariamente com segurança. Saia para brincar pensando no escorrega, veja que ele está ocupado e divirta-se com seus novos amigos da gangorra. Você saiu para brincar, não para brincar só no escorrega. Volte-se para o que importa e o resto virará acessório. Divirta-se depois contando como conseguiu seus arranhões e amigos novos.

José Lucas ‘Gelo’ da Silva
São Carlos, 03 de março de 2019
Sol 12° Peixes Lua 10 º Aquário Mercúrio 29º Peixes

VIVÍX VORTEX!

O VORTEX inicia suas atividades no dia 23/05. Propício, não?

Por enquanto apenas circulam internet afora prévias de gravações que só podem ser obtidas via link direto, então você precisa dar sorte de conhecer alguém para acessar esse conteúdo prévio. Na segunda feira, no entanto, estaremos lançando um episódio inédito no nosso SoundCloud e aos poucos atualizaremos outras redes sociais.

É isso
O VORTEX ESTÁ ABERTO
você ousaria espreitar o Abismo?

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À nossa frente o Facebook
À nossa direta o Twitter
Às nossas costas o Soundcloud
E a esquerda não tem nada