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Caos como atitude e postura diante da Magia

Por tradição ‘magia’ é algo que se faz.

Fala-se de Arte, fala-se de técnica, fala-se, sempre, de ‘boas práticas em magia’. Faça isto com aquilo quanto a isso e aquilo outro acontecerá, mas faça deste jeito aqui, caso contrário, você provará o gosto daquilo. No geral, não queremos o gosto daquilo, mas que aquilo outro aconteça. A grande provocação da Magia do Caos é, justamente, partir disso: divirta-se fazendo magia e conseguindo resultados e não necessariamente os que queria, mas os seus resultados. Isto por causa da atitude quanto a ‘magia’. Quem faz magia do caos é antes de mais nada uma pessoa ousada. É alguém que não está, exatamente, preocupada com intenções e agendas que não seja a sua. Caoístas são egoístas? Sim, se estivermos pensando em Raul Seixas, não, se estivermos pensando em Ayn Rand. Isto por causa da postura.

Quem opera magia clássica é alguém que está ocupado com a consecução de uma Grande Obra, da realização de algo grande e importante e soturno e cósmico, por sua vez, quem lança mão do que podemos chamar de ‘magia do caos’ está olhando para alguma outra coisa que talvez seja menos magnânima e não menos comprometida. Aliás, a postura se revela aqui: magistas do caos tendem a formar grupos de pessoas que não estão interessadas no que os confrades estão buscando, mas no como. Seria bem difícil, mesmo que genericamente, esboçar uma resposta para a pergunta: o que querem magistas do caos? Sopra um vento único de liberdade vindo dali que pode ser comparado a sair para brincar lá fora depois de vários dias de chuva incessante: você simplesmente não sabe por onde começar. E aqui é onde começa o caos.

Quando não se tem por onde começar você pode começar simplesmente por qualquer lugar! Não comece treinando concentração: aprenda hebraico. Tente realizar uma meditação em meio a um raivoso show de hard core e experimente êxtase e dissolução em meio a um mosh pit. A atitude vem de não começar uma vida nova com magia, mas de tornar mágicka a vida que você já tem. Magia do Caos não é para convertidos, é para interessados. Assuma uma postura de encantamento diante dos eventos, tome seu lugar no Equinócio dos Deuses e exija tributos pagos em sorvete, caso goste de sorvete. Tente com menos força e não leve as coisas tão a sério, você saiu para brincar, lembra? Quando se está pensando em Caos não se está pensando no oposto a Ordem, que seria desordem. Basta olhar um grupo de crianças brincando num parquinho depois da chuva e verá como elas dão um jeito de organizar as brincadeiras. O que não quer dizer que não haverão atritos ou reclamações. Pessoas ousadas não estão preocupadas primariamente com segurança. Saia para brincar pensando no escorrega, veja que ele está ocupado e divirta-se com seus novos amigos da gangorra. Você saiu para brincar, não para brincar só no escorrega. Volte-se para o que importa e o resto virará acessório. Divirta-se depois contando como conseguiu seus arranhões e amigos novos.

José Lucas ‘Gelo’ da Silva
São Carlos, 03 de março de 2019
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