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Monthly Archives março 2019

Os Véus e as Dimensões

O Véu do Esquecimento não é mera ferramenta reencarnatória, mas uma ode à individualidade. Pode-se argumentar que todos os tempos e espaços são um só, que as dimensões se interpenetram e que o livre-arbítrio só existe na mente do homem, mas temos de considerar que só de classificarmos e organizarmos a experiência da vida em diversas passagens as munimos de individualidade e autenticidade. Em outras palavras, toda experiência é autêntica por si só e tem o direito de ser separada e destacada do contexto geral para se expressar sem os ruídos e interferências do passado ou do futuro.

Uma vez que levantamos o Véu do Esquecimento as diversas experiências se interpenetram, tal como tanques cheios de água que assim que conectados nivelam seus volumes. Ao tornarem-se unidade os padrões naturais se reforçam e a ilusão do livre-arbítrio enfraquece. Este não é um problema, mas também não é essencialmente uma solução. O que há para ser entendido é que individualidade e união são possibilidades de manifestação e ferramentas para a expressão da autenticidade do ser. 

 

Rodrigo Vignoli

Belo Horizonte, 25 de março de 2019

Sol 4° Áries, Lua 6º Sagitário, Mercúrio 16° Peixes

Vortex CaosCast – Live – 09

“De onde se espera, no geral, é que não vem nada mesmo”

– Paulo Coelho

Citado

Satariel’s Shroud: Sex, Power and Ethics in Contemporary Thelema

#OPodcastÉDelas2019 – Vortex CaosCast – 46 – Kallisti

Nesta edição histórica nossas Afrodite, Athena e Hera, conhecidas pelo vulgo como Ariel Machado, B. e Lenore realizam um ato mágicko e subvertem esta abertura do Vortex. Espere encontrar portas que não sabiam que existiam, lembrem-se daquelas que nunca deveriam ter sido esquecidas,escreva no seu caderninho, beba água, não sejam um babaca, ignore pessoas, converse com plantas e ouçam podcast!

Este programa faz parte da campanha #OPodcastÉDelas2019, uma iniciativa criada para inserir e promover mais mulheres na mídia podcast. A campanha ocorre sempre no mês de março e esta é a sua terceira edição. Para encontrar mais podcasts participantes, procure pelas hashtag #OPodcastÉDelas e #OPodcastÉDelas2019 nas mídias sociais e siga o @opodcastedelas.

Citados

Créditos

  • Edição de áudio e Arte da Vitrine: Gelo

 

SAC – Serviço de Atendimento ao Caoísta

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A Irreverência da Iluminação

Há uma linha geral do que se é esperado de cada um em termos de execução de seu Propósito em sua vida. Esta linha é definida sobre a média dos rendimentos daquele ser em outras passagens pelos planos de manifestação. Em outras palavras a espiritualidade não subestima e nem superestima a capacidade de ninguém.

Por outro lado, mesmo que tenhamos certa liberdade no agir algo é esperado de nós, e sempre que se sai dessa linha de planejamento há retaliações. Em meio às inúmeras possibilidades podemos nos perder ou vacilar em nosso ritmo e, de alguma forma, estaremos descompassados com o que nos é reservado. Daí vem a sensação de insatisfação e de inadequação: não conseguimos contemplar o próprio propósito interno e isso nos aflige intimamente. Ao nos envolvermos com magia acabamos, de certa forma, interferindo nessa linha de expectativa e planejamento da Espiritualidade e, embora na maioria dos casos as pessoas possam se perder ainda mais quando lhes são apresentadas muitas possibilidades e nenhum fundamento ou maturidade, vez ou outra os meios conduzem aos fins e um adepto alcança um certo estado de consciência muito mais perspicaz do que se era esperado. E isso também pode ser complicado.

Em constraste à situação em que nos sentimos incapazes de assumirmos nossa Vontade, aqueles que a assumem e a manifestam com maior intensidade do que se é esperado tendem a não mais fluírem conforte o ritmo do contexto que lhes rege, mas à sua frente, enfrentando diretamente a inércia que procura de toda maneira refrear o êxtase e o ardor. Aqui o adepto não se referencia mais pelo contexto mundano, tal como aquele que cumpre seu ritmo próprio, mas sim pelas diretrizes superiores à sua consciência, algo com o qual ele nunca teria contato se se ativesse à sua progressão esperada.

Quando falamos dessa inércia que tenta desestimular o adepto, falamos da atuação de inteligências externas, sempre motivadas por  duas razões principais: o temor dessa ascensão repentina e de como isso pode afetar os seus interesses e domínios; ou o desejo de se estar na mesma posição e desfrutar das benesses que estes julgam que o adepto tenha conquistado.

Tudo o que sai do planejamento cósmico causa certa ruptura e desconforto. A iluminação, por fim, é um verdadeiro parto e ela subverte não apenas Maya, mas todas as camadas do Real. A cada vez que um adepto se ilumina os tecidos do TODO se rasgam para então serem cerzidos à Luz de sua plenitude. Mesmo as inteligências mais disruptivas são extremamente conservadoras se comparadas à consciência transcendental. E essa é a beleza da progressão: quando um adepto assume sua marcha e não se torna convencido e arrogante, ou seja, não se deixa freiar pelas inércias de seu próprio ser, nada pode detê-lo e a perturbação que ele causa às ordens estabelecidas é tal qual o regozijo do TODO em se regenerar a partir do êxtase e da Luz incandescente. Só se atinge ao TODO pelo Amor. E é melhor que seja sob Vontade.

Rodrigo Vignoli

Belo Horizonte, 19 de março de 2019

Sol 29º Peixes, Lua 8º Virgem, Mercúrio R 19º Peixes

Vortex CaosCast – 45 – Kundalini Yoga & Sikh Dharma

💫VIVIX VORTEX💫

Neste episódio nós trazemos de volta um dos convidados mais especiais que já passou pelo Vortex: HariBhagat Singh Khalsa, também conhecido como Bernardo Malamut.
Bernardo nos apresenta o incrível mundo da Kundalini Yoga, um sistema iniciático que reúne as múltiplas disciplinas orientais e exprime com maestria a essência do Raja Yoga – a Yoga Real.
O Kundalini Yoga tem uma visão muito particular acerca da espiritualidade e, diferente de outras linhas de yoga que vemos por aí, a maioria muito corporal – e até “fitness” – o KY trabalho com a integração do corpo, mente e espírito. E é essa conexão entre esses três elementos que também vai nos levar a falar sobre o Sikh Dharma, a filosofia que complementa a prática da Kundalini Yoga!
O episódio está recheado de histórias, personalidades marcantes e conceitos que dialogam diretamente com a prática magística. Você quer entender o porquê da fixação de To Mega Therion com a disciplina yóguica? Então ouça este episódio!

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Caos como atitude e postura diante da Magia

Por tradição ‘magia’ é algo que se faz.

Fala-se de Arte, fala-se de técnica, fala-se, sempre, de ‘boas práticas em magia’. Faça isto com aquilo quanto a isso e aquilo outro acontecerá, mas faça deste jeito aqui, caso contrário, você provará o gosto daquilo. No geral, não queremos o gosto daquilo, mas que aquilo outro aconteça. A grande provocação da Magia do Caos é, justamente, partir disso: divirta-se fazendo magia e conseguindo resultados e não necessariamente os que queria, mas os seus resultados. Isto por causa da atitude quanto a ‘magia’. Quem faz magia do caos é antes de mais nada uma pessoa ousada. É alguém que não está, exatamente, preocupada com intenções e agendas que não seja a sua. Caoístas são egoístas? Sim, se estivermos pensando em Raul Seixas, não, se estivermos pensando em Ayn Rand. Isto por causa da postura.

Quem opera magia clássica é alguém que está ocupado com a consecução de uma Grande Obra, da realização de algo grande e importante e soturno e cósmico, por sua vez, quem lança mão do que podemos chamar de ‘magia do caos’ está olhando para alguma outra coisa que talvez seja menos magnânima e não menos comprometida. Aliás, a postura se revela aqui: magistas do caos tendem a formar grupos de pessoas que não estão interessadas no que os confrades estão buscando, mas no como. Seria bem difícil, mesmo que genericamente, esboçar uma resposta para a pergunta: o que querem magistas do caos? Sopra um vento único de liberdade vindo dali que pode ser comparado a sair para brincar lá fora depois de vários dias de chuva incessante: você simplesmente não sabe por onde começar. E aqui é onde começa o caos.

Quando não se tem por onde começar você pode começar simplesmente por qualquer lugar! Não comece treinando concentração: aprenda hebraico. Tente realizar uma meditação em meio a um raivoso show de hard core e experimente êxtase e dissolução em meio a um mosh pit. A atitude vem de não começar uma vida nova com magia, mas de tornar mágicka a vida que você já tem. Magia do Caos não é para convertidos, é para interessados. Assuma uma postura de encantamento diante dos eventos, tome seu lugar no Equinócio dos Deuses e exija tributos pagos em sorvete, caso goste de sorvete. Tente com menos força e não leve as coisas tão a sério, você saiu para brincar, lembra? Quando se está pensando em Caos não se está pensando no oposto a Ordem, que seria desordem. Basta olhar um grupo de crianças brincando num parquinho depois da chuva e verá como elas dão um jeito de organizar as brincadeiras. O que não quer dizer que não haverão atritos ou reclamações. Pessoas ousadas não estão preocupadas primariamente com segurança. Saia para brincar pensando no escorrega, veja que ele está ocupado e divirta-se com seus novos amigos da gangorra. Você saiu para brincar, não para brincar só no escorrega. Volte-se para o que importa e o resto virará acessório. Divirta-se depois contando como conseguiu seus arranhões e amigos novos.

José Lucas ‘Gelo’ da Silva
São Carlos, 03 de março de 2019
Sol 12° Peixes Lua 10 º Aquário Mercúrio 29º Peixes